Carnaval passa, fatura fica: consultor financeiro explica como se divertir sem entrar no vermelho
O Brasil inicia 2026 com um alerta importante para o consumo. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que mais de 73 milhões de brasileiros já estão inadimplentes, o maior patamar da série histórica.
Em pleno mês de fevereiro, período do Carnaval, a expectativa é que esse cenário possa se agravar após a folia, especialmente diante do aumento de gastos típicos da festa.
Com a chegada da festa momesca em Salvador, milhares de pessoas se preparam para aproveitar a festa na pipoca, nos camarotes e também nos tradicionais carnavais de bairro. Para ajudar tanto quem vai sair sem cordas quanto quem prefere estruturas privadas, o consultor financeiro Deivisson Sousa, CEO da Ora Finanças, reuniu orientações práticas para evitar que a diversão se transforme em aperto financeiro nos meses seguintes.
Segundo o consultor, a principal diferença entre quem curte na pipoca e quem frequenta camarotes está no tipo de gasto, mas o risco de desorganização financeira é o mesmo.
“No Carnaval, as decisões são quase sempre emocionais. A pessoa não percebe quanto está gastando e só entende o impacto quando chega a fatura. Com pequenas estratégias, é possível se divertir sem comprometer o orçamento do mês seguinte”, explica.
Para quem vai de pipoca
Nos circuitos Barra–Ondina, Campo Grande e Centro Histórico de Salvador, onde a maior parte dos gastos acontece com alimentação, bebidas e transporte, o consultor recomenda:
* Definir um limite diário de gastos antes de sair de casa;
* Dar preferência ao pagamento no cartão de crédito, para manter maior controle do que está sendo consumido;
* Se alimentar antes de sair, evitando compras por impulso durante o percurso;
* Levar água de casa, reduzindo gastos repetidos ao longo do dia.
Segundo ele, “quando a pessoa não estabelece um teto por dia, pequenos valores acabam se acumulando e gerando um impacto maior do que o esperado”.
Para quem vai aos camarotes
Para o público que opta por camarotes, onde os ingressos e serviços costumam ter valores mais elevados, o estrategista financeiro reforça que o planejamento precisa começar antes da festa.
* Para quem consome bebida alcoólica, optar por camarote open bar, que tende a ser mais econômico do que espaços all inclusive, já que bebidas costumam representar um custo elevado;
* Evitar parcelamentos longos que comprometam o orçamento dos meses seguintes;
* Avaliar se a compra do ingresso é compatível com a renda mensal;
* Manter um valor reservado exclusivamente para gastos extras, como transporte e alimentação fora do espaço contratado;
* Optar pelo compartilhamento de viagens em carros de aplicativo, principalmente para evitar gastos com estacionamento e reduzir custos em deslocamentos em grupo.
“O camarote não pode ser financiado às custas de um desequilíbrio que vai durar o resto do ano”, pontua.
Para quem aproveita o Carnaval nos bairros
Já para quem prefere os carnavais de bairro, a orientação é semelhante à da pipoca, com atenção especial para deslocamentos e consumo local.
* Planejar o trajeto, para evitar gastos desnecessários com transporte;
* Levar a própria bebida, quando possível;
* Priorizar pagamentos no cartão de crédito, para não perder a noção do total gasto ao longo do dia.
Ficar atento ao ‘efeito pós-Carnaval’
O especialista explica que, por se tratar de uma festa anual, o Carnaval pode (e deve) ser planejado com antecedência, permitindo que o folião se prepare financeiramente para gastos com transporte, alimentação, abadás, camarotes e até despesas emergenciais.
A orientação é separar, ao longo do ano, pequenos valores mensais e direcioná-los para investimentos com metas específicas para o período do Carnaval, evitando que a folia comprometa o orçamento do ano inteiro.
De acordo com Deivisson Sousa, CEO da Ora Finanças, o maior erro do folião é ignorar o impacto da festa no orçamento de março.
“A festa acaba, mas a fatura chega. O ideal é curtir com consciência agora para não comprometer contas fixas, investimentos e objetivos financeiros depois.”
Deivisson Sousa é estrategista e consultor financeiro e atua há 15 anos na orientação de pessoas e empresas sobre organização financeira, planejamento de gastos e construção de hábitos financeiros mais sustentáveis no dia a dia.

